Já morri algumas vezes (de acordo com minhas crenças religiosas), mas não me recordo de nenhuma delas. Ontem constatei que morrer não dói, mas viver sim...
Ficamos nove meses imersos num lugar quentinho, protegido da luz, do calor, do frio, de agressões do ambiente físico... De repente, algo começa a nos pressionar para sair desse lugar. Aquele líquido quentinho vai embora e somos forçados a passar dolorosamente por um estreito canal ou somos arrancados repentinamente do nosso aconchego. É assim que conhecemos pela primeira vez esse mundão... Que bela primeira impressão, hein??
Somos forçados a aprender a respirar, chorar, nos alimentar. Por meses ficamos quase cegos, à mercê apenas de nossa audição... Até que tudo fique claro (Ainda bem que existe cuidado parental na espécie Homo sapiens).
Sofremos com as injeções que nos dão, com a dorzinha de nossos tombos, com as batidas na cabeça.
Nos colocam na escola e muitas vezes ficamos perdidos devido a tantas informações novas. Nosso cérebro começa a ficar esperto! Choramos quando não conseguimos fazer nossa lições ou quando vamos mal na escola. Estudamos e mesmo assim muitos de nós não serão o que sempre quiseram ser. Alguns querem ser médicos, mas terão em se contentar com o trabalho no escritório. Entramos em brigas, nos machucamos... Na adolescência, sofremos com amores não respondidos e também com os admiradores secretos que tanto correm atrás de nós e tanto queremos nos livrar deles.
Sofremos quando brigamos com pessoas queridas por assuntos tão banais que poderiam ser passados por cima. Durante a vida, temos a escolha de nos casar, de ter filhos... e todas as nossas escolhas são seguidas por algumas perdas. Umas insignificantes e outras muito significantes. Já escutei de muitas pessoas que casar é perder a liberdade. Não acredito nessa teoria de mulheres que não conseguem arranjar um par romântico (sim, as encalhadas que não assumem ser encalhadas!!!). Dividir uma vida não é perder a liberdade. Liberdade, nascemos com ela e morreremos com ela.
Envelhecemos e muito de nós teremos uma velhice confortável, outros padecerão de enfermidades.
Essa é uma vida comum... Não podemos nos esquecer daqueles que sofrem preconceito, nascem fadados a sentir fome, sede, a perder sua família em guerras...
Por isso, morrer não dói, mas viver sim...
A morte é considerada o descanso eterno. Aqui se faz e aqui se paga! Não é esse o ditado? É muito fácil dar como castigo a pena de morte se nem pagar o castigo a pessoa vai... Vai descansar eternamente... Na realidade, tem que continuar a viver e a pagar em vida... para doer... doer mesmo!
Mas apesar das dores da vida, há analgésicos para todas elas e soluções também. A morte não dói, mas não possui solução.
Post Scriptum: Cereja + Carmin = combinação de esmaltes no tom avermelhado!
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